Bases estadunidenses acirrarão tensões entre Colômbia e Venezuela
MILITARIZAÇÃO Acordo entre país governado por Álvaro Uribe e Estados Unidos é oficializado; conflitos devem aumentar no continente
da Redação
Agora é oficial. Colômbia e Estados Unidos assinaram, no dia 30 de outubro, o polêmico acordo militar que permite a presença de pelo menos 800 militares e 600 funcionários civis estadunidenses em território colombiano, distribuídos em sete bases militares. O anúncio do acordo tinha sido feito em agosto deste ano, mas só agora foi formalizado. O projeto sequer passará pelo Congresso colombiano, mas terá que ser aprovado pelos parlamentares dos Estados Unidos.
O conteúdo integral do acordo – que tem duração de dez anos, renováveis – ainda não foi divulgado pelo governo colombiano. Mas sabe-se que, à revelia do que afirmam os dois governos, a presença militar dos Estados Unidos deve aumentar. Além disso, também devem centrar esforços em seguir de perto os governos progressistas da região, sobretudo o de Hugo Chávez, na Venezuela.
De acordo com o embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, William Brown- field, hoje há 250 militares estadunidenses no país latino- americano, mais 400 funcionários civis. Seu país também já tinha presença em seis das sete bases, alega, amenizando a investida. A base aérea de Palanquero (centro), a única ainda sem a presença dos EUA, receberá, sozinha, 46 milhões de dólares para sua “readequação”. Além disso, o acordo engloba o acesso a mais duas bases aéreas – Apiay (sul) e Malambo (Atlântico norte) –, duas bases navais – Cartagena (norte) e Bahía Málaga (pacífico oeste) – e duas instalações do Exército – Larandia (sul) e Toleimada (centro).
Motivos
O grande argumento usado pelos dois países é o combate ao narcotráfico. Mas, segundo alguns analistas, na prática, a presença militar dos EUA no país, que se intensi- ficou há dez anos, com o início do Plano Colômbia, está relacionada com o combate à guerrilha rural no país e, principalmente, ao controle de países vizinhos – Venezuela e Equador –, com os quais o governo colombiano vive em clima de tensão, e também de outros países com governos progressistas – como Bolívia.
Um documento do próprio Pentágono, direcionado ao Congresso dos EUA, conforme divulgou reportagem do jornal Folha de S. Paulo, explicitou que o acordo com Álvaro Uribe é uma oportunidade para aumentar a presença a custos mínimos em uma área constantemente agitada por governos anti-imperialistas.
Políticos colombianos como os senadores Piedad Córdoba e Gustavo Petro, entre outros, bem como vários partidos locais, têm manifestado que o pacto vulnera a soberania nacional e converte a Colômbia de fato em um país hostil para os vizinhos da área. Advertem também que o uso das bases por soldados estadunidenses poderá isolar a Colômbia da América Latina, que nos últimos anos tem experimentado a eleição de governos progressistas.
O Conselho de Estado da Colômbia, órgão máximo de controle do Executivo, recomendou que o Congresso estude o projeto, o que foi negado pelo presidente. O Conselho também ressaltou que o país tem um papel de cooperação, ficando subordinado às diretrizes do Departamento de Estado estadunidense.
Tensões
Dias depois da oficialização do acordo, Colômbia e Venezuela já protagonizaram mais dois episódios de tensão. Parte da fronteira entre os países foi fechada após o assassinato de dois soldados venezuelanos.
Há uma semana, oito corpos foram achados no lado venezuelano. O governo afirmou que eram paramilitares colombianos em treinamento na Venezuela.
Dias antes, em 28 de outubro, a Venezuela havia capturado dois agentes secretos do Departamento Administrativo de Segurança (DAS), agência de inteligência da Colômbia, em seu território.
O ministro do Interior e Justiça venezuelano, Tareck El Aissami, afirmou que, com os prisioneiros, foram encontrados documentos sobre os planos de espionagem específicos “para obter informação estratégica e desestabilizar o vizinho”.
O projeto Falcão, como é chamado, teria dentre seus objetivos compilar informação militar, mapear os movimentos do chefe de Estado Hugo Chávez e outros dirigentes, bem como subornar funcionários públicos e recrutar figuras da oposição.
El Aissami também apontou que quem dá apoio à Colômbia é a Agência Central de Inteligência estadunidense (CIA), o que justificaria a preocupação da Venezuela com a instalação das novas bases. O presidente Hugo Chávez declarou que o acordo militar entre EUA e Colômbia tem como objetivo frear os avanços obtidos nos últimos anos pelos governos progressistas da América Latina.
O sociólogo colombiano Alfredo Molano acredita que hoje há um clima de Guerra Fria na região. “Eu acho que a atitude colombiana frente aos vizinhos, Venezuela e Equador, é perigosa, porque põe em apuros toda a região”. Ele recordou que, nos últimos 25 anos, calcula-se que existam 24.600 desaparecidos na Colômbia, o que demonstra qual tem sido os frutos da aliança entre governos colombianos e os Estados Unidos.
(Com informações de Prensa Latina, Página 12 e Telesur)
Agora é oficial. Colômbia e Estados Unidos assinaram, no dia 30 de outubro, o polêmico acordo militar que permite a presença de pelo menos 800 militares e 600 funcionários civis estadunidenses em território colombiano, distribuídos em sete bases militares. O anúncio do acordo tinha sido feito em agosto deste ano, mas só agora foi formalizado. O projeto sequer passará pelo Congresso colombiano, mas terá que ser aprovado pelos parlamentares dos Estados Unidos.
O conteúdo integral do acordo – que tem duração de dez anos, renováveis – ainda não foi divulgado pelo governo colombiano. Mas sabe-se que, à revelia do que afirmam os dois governos, a presença militar dos Estados Unidos deve aumentar. Além disso, também devem centrar esforços em seguir de perto os governos progressistas da região, sobretudo o de Hugo Chávez, na Venezuela.
De acordo com o embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, William Brown- field, hoje há 250 militares estadunidenses no país latino- americano, mais 400 funcionários civis. Seu país também já tinha presença em seis das sete bases, alega, amenizando a investida. A base aérea de Palanquero (centro), a única ainda sem a presença dos EUA, receberá, sozinha, 46 milhões de dólares para sua “readequação”. Além disso, o acordo engloba o acesso a mais duas bases aéreas – Apiay (sul) e Malambo (Atlântico norte) –, duas bases navais – Cartagena (norte) e Bahía Málaga (pacífico oeste) – e duas instalações do Exército – Larandia (sul) e Toleimada (centro).
Motivos
O grande argumento usado pelos dois países é o combate ao narcotráfico. Mas, segundo alguns analistas, na prática, a presença militar dos EUA no país, que se intensi- ficou há dez anos, com o início do Plano Colômbia, está relacionada com o combate à guerrilha rural no país e, principalmente, ao controle de países vizinhos – Venezuela e Equador –, com os quais o governo colombiano vive em clima de tensão, e também de outros países com governos progressistas – como Bolívia.
Um documento do próprio Pentágono, direcionado ao Congresso dos EUA, conforme divulgou reportagem do jornal Folha de S. Paulo, explicitou que o acordo com Álvaro Uribe é uma oportunidade para aumentar a presença a custos mínimos em uma área constantemente agitada por governos anti-imperialistas.
Políticos colombianos como os senadores Piedad Córdoba e Gustavo Petro, entre outros, bem como vários partidos locais, têm manifestado que o pacto vulnera a soberania nacional e converte a Colômbia de fato em um país hostil para os vizinhos da área. Advertem também que o uso das bases por soldados estadunidenses poderá isolar a Colômbia da América Latina, que nos últimos anos tem experimentado a eleição de governos progressistas.
O Conselho de Estado da Colômbia, órgão máximo de controle do Executivo, recomendou que o Congresso estude o projeto, o que foi negado pelo presidente. O Conselho também ressaltou que o país tem um papel de cooperação, ficando subordinado às diretrizes do Departamento de Estado estadunidense.
Tensões
Dias depois da oficialização do acordo, Colômbia e Venezuela já protagonizaram mais dois episódios de tensão. Parte da fronteira entre os países foi fechada após o assassinato de dois soldados venezuelanos.
Há uma semana, oito corpos foram achados no lado venezuelano. O governo afirmou que eram paramilitares colombianos em treinamento na Venezuela.
Dias antes, em 28 de outubro, a Venezuela havia capturado dois agentes secretos do Departamento Administrativo de Segurança (DAS), agência de inteligência da Colômbia, em seu território.
O ministro do Interior e Justiça venezuelano, Tareck El Aissami, afirmou que, com os prisioneiros, foram encontrados documentos sobre os planos de espionagem específicos “para obter informação estratégica e desestabilizar o vizinho”.
O projeto Falcão, como é chamado, teria dentre seus objetivos compilar informação militar, mapear os movimentos do chefe de Estado Hugo Chávez e outros dirigentes, bem como subornar funcionários públicos e recrutar figuras da oposição.
El Aissami também apontou que quem dá apoio à Colômbia é a Agência Central de Inteligência estadunidense (CIA), o que justificaria a preocupação da Venezuela com a instalação das novas bases. O presidente Hugo Chávez declarou que o acordo militar entre EUA e Colômbia tem como objetivo frear os avanços obtidos nos últimos anos pelos governos progressistas da América Latina.
O sociólogo colombiano Alfredo Molano acredita que hoje há um clima de Guerra Fria na região. “Eu acho que a atitude colombiana frente aos vizinhos, Venezuela e Equador, é perigosa, porque põe em apuros toda a região”. Ele recordou que, nos últimos 25 anos, calcula-se que existam 24.600 desaparecidos na Colômbia, o que demonstra qual tem sido os frutos da aliança entre governos colombianos e os Estados Unidos.
(Com informações de Prensa Latina, Página 12 e Telesur)