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ANÁLISE: A corrida armamentista terrorista do governo dos Estados Unidos

by peruano last modified 2009-11-18 08:23

Muitos analistas assinalam que é precisamente a economia de guerra estadunidense que alimenta a demanda de uma economia capitalista insaciável

Marco A. Gandásegui

O Senado dos Estados Unidos aprovou, em outubro de 2009, o orçamento militar mais elevado para um país na história humana: um total de 626 bilhões de dólares. Essa soma não inclui outros 400 bilhões que os Estados Unidos estão investindo em suas guerras no Iraque e no Afeganistão.
A soma representa quase a metade do orçamento total do país. Essa tendência “suicida” não é inovadora. Muitos analistas assinalam que é precisamente a economia de guerra estadunidense que alimenta a demanda de uma economia capitalista insaciável.
Dizem que sem guerra não há crescimento. Agora o lema mudou: sem guerra não há recuperação econômica. Os ideólogos de Washington insistem que o armamentismo, as guerras e a destruição massiva são muito saudáveis para um paciente enfermo como o capitalismo estadunidense.
(Quando não havia crise, diziam que o armamentismo era o remédio necessário para que ele não adoecesse).
A Grã-Bretanha é o país que segue em importância, em termos de gastos militares. Parece inacreditável, mas é verdade: a Grã-Bretanha tem um orçamento bélico de 50 bilhões de dólares.
Aproximadamente 7% do dos Estados Unidos. Seguem, em terceiro e quarto lugares, França e Alemanha, respectivamente, com orçamentos de 40 bilhões cada um. E em quinto lugar está a Rússia (39 bilhões), enquanto a China se encontra em sexto lugar, com 35 bilhões. Os cinco países que seguem os Estados Unidos em importância têm, combinados, um orçamento militar de 210 bilhões.

Gastos na América
No total, os gastos militares no continente latinoamericano somam 34 bilhões de dólares. Quase alcança a China, mas representa apenas 5,5% do orçamento militar dos Estados Unidos. Chile, Colômbia e Brasil se converteram nos países com mais gastos militares da região durante 2008.
O Chile lidera o gasto militar por habitante, com 290 dólares per capita em 2008, enquanto que a Colômbia gastou 115; o Equador, 89; e o Brasil, 80. Em termos absolutos, o país que mais gasta é o Brasil, com 45% do total latino-americano, seguido por Colômbia e Chile.
Segundo um estudo realizado pelo SIPRI (Suécia) e pela FLACSO (Chile), o Brasil gasta quase 15 bilhões de dólares, seguido por Colômbia, que desembolsa 5,5 bilhões de dólares.
O Chile quase chega a 5 bilhões de dólares, e a Venezuela alcança os 2,2 bilhões em gastos militares. Argentina e Peru aparecem em seguida, com 1,7 e 1,1 bilhões. Esses seis países são responsáveis por 89% do orçamento militar da América Latina.
Sobre o orçamento colombiano, não se pode calcular com muita certeza desde que os Estados Unidos decidiram implementar o Plano Colômbia, com uma intervenção militar direta nesse país. Os países da América do Sul (o Conselho Sul-americano de Defesa da Unasul) pediram a Bogotá que apresentasse um comunicado com os detalhes concernentes ao crescimento dos gastos militares. O governo colombiano se negou a cumprir com suas obrigações, jogando a culpa ao secretismo de Washington.

Provedor de armas
Os Estados Unidos são, na atualidade, o provedor mais importante de equipamentos militares (que inclui treinamento de contingente e outros “serviços”) aos países latino-americanos. Além do Plano Colômbia, o presidente estadunidense, Barack Obama, recentemente incrementou o orçamento do Plano Mérida, que inclui México, América Central e Panamá. Também mantém uma relação militar privilegiada com Peru, Chile e Argentina.
Desde o final do século 19, os Estados Unidos têm sido o principal mercado de armas para a região, muitas vezes promovendo corridas armamentistas entre os países para lhes vender mais e dominá-los. (Alai - http://alainet.org)

Marco A. Gandásegui é professor da Universidade de Panamá e pesquisador associado do CELA.
Tradução: Eduardo Sales de Lima