Companhias de habitação não socializam a terra urbana
Programa federal não se caracteriza pelo planejamento urbano. Especulação imobiliária, exclusão das regiões valorizadas e falta de regularização de áreas de ocupação são contradições que se acentuam ou que seguem pendentes
Pedro Carrano
de Curitiba (PR)
“Se for com a Cohab, o projeto não anda!”, exclama uma das coordenadoras do movimento Nossa Luta, Nossa História, em reunião da coordenação do movimento, em Curitiba.
Uma outra integrante denuncia o padrão de casa no formato “pombal”, com apenas 37 metros quadrados, modelo padronizado pela Companhia de Habitação. “O movimento tem de denunciar a Cohab, para mostrar que a cama de casal não cabe no quarto”, comenta.
Analisado como um todo, um dos riscos do Programa Minha Casa, Minha Vida, lançado recentemente pelo governo federal, está nas políticas das companhias de habitação locais, isso porque a Caixa Econômica avalia os cadastros que são repassados por aquelas.
As empreiteiras apresentam-se com um projeto pronto, em busca do cadastramento em mãos do banco federal, que não deixa de fazer uma análise de mercado. “Pode ser um terreno de terceiros, apresentado pela construtora, avaliamos e fazemos a proposta. O terreno é sempre apresentado para nós, como opção de compra e venda”, comenta representante da Caixa para a reportagem do Brasil de Fato.
Em Curitiba, a Cohab acena utilizar os cadastros já realizados ao longo de dez anos. A fila para o acesso aos programas da construtora pública já amarga mais de 50 mil famílias. “Ainda que a demanda seja até maior, em dez anos, muitas famílias talvez tenham buscado outras alternativas”, aponta Bruno Meirinho, advogado da Ambiens Cooperativa, Planejamento e Gestão do Desenvolvimento Urbano e Rural.
Especulação
Por sua vez, Adenival Gomes, um dos idealizadores do movimento Nossa Luta, Nossa História, defende que o problema é o critério de tempo de espera. “Não precisa fazer outro cadastramento. O problema é quando não se atende o critério de maior necessidade, e sim o de tempo na fila”, analisa.
Na opinião da coordenação do Nossa Luta, Nossa História, o programa federal prevê a possibilidade de construção em terrenos para até três unidades habitacionais. Por esse motivo, estão mobilizando os coordenadores de bairros para buscar imóveis à venda nas suas regiões. Por outro lado, as companhias de habitação começam a reclamar dos preços dos terrenos, que passaram a se inflacionar devido justamente à especulação da terra.
De acordo com informações da Caixa à reportagem do Brasil de Fato, desapropriações com indenização não devem acontecer, dentro da ideia de ser um projeto para construção, e não de planejamento urbano. Ainda não há uma normativa de como o programa será operacionalizado.
de Curitiba (PR)
“Se for com a Cohab, o projeto não anda!”, exclama uma das coordenadoras do movimento Nossa Luta, Nossa História, em reunião da coordenação do movimento, em Curitiba.
Uma outra integrante denuncia o padrão de casa no formato “pombal”, com apenas 37 metros quadrados, modelo padronizado pela Companhia de Habitação. “O movimento tem de denunciar a Cohab, para mostrar que a cama de casal não cabe no quarto”, comenta.
Analisado como um todo, um dos riscos do Programa Minha Casa, Minha Vida, lançado recentemente pelo governo federal, está nas políticas das companhias de habitação locais, isso porque a Caixa Econômica avalia os cadastros que são repassados por aquelas.
As empreiteiras apresentam-se com um projeto pronto, em busca do cadastramento em mãos do banco federal, que não deixa de fazer uma análise de mercado. “Pode ser um terreno de terceiros, apresentado pela construtora, avaliamos e fazemos a proposta. O terreno é sempre apresentado para nós, como opção de compra e venda”, comenta representante da Caixa para a reportagem do Brasil de Fato.
Em Curitiba, a Cohab acena utilizar os cadastros já realizados ao longo de dez anos. A fila para o acesso aos programas da construtora pública já amarga mais de 50 mil famílias. “Ainda que a demanda seja até maior, em dez anos, muitas famílias talvez tenham buscado outras alternativas”, aponta Bruno Meirinho, advogado da Ambiens Cooperativa, Planejamento e Gestão do Desenvolvimento Urbano e Rural.
Especulação
Por sua vez, Adenival Gomes, um dos idealizadores do movimento Nossa Luta, Nossa História, defende que o problema é o critério de tempo de espera. “Não precisa fazer outro cadastramento. O problema é quando não se atende o critério de maior necessidade, e sim o de tempo na fila”, analisa.
Na opinião da coordenação do Nossa Luta, Nossa História, o programa federal prevê a possibilidade de construção em terrenos para até três unidades habitacionais. Por esse motivo, estão mobilizando os coordenadores de bairros para buscar imóveis à venda nas suas regiões. Por outro lado, as companhias de habitação começam a reclamar dos preços dos terrenos, que passaram a se inflacionar devido justamente à especulação da terra.
De acordo com informações da Caixa à reportagem do Brasil de Fato, desapropriações com indenização não devem acontecer, dentro da ideia de ser um projeto para construção, e não de planejamento urbano. Ainda não há uma normativa de como o programa será operacionalizado.