Mangueira revive a esperança
Ed Wilson Araújo
de São Luís (MA)
O saudosismo dos bons tempos da Turma da Mangueira tem uma data emblemática: o ano de 1978, quando a escola completou 50 anos com o samba "Bodas de Ouro", de autoria de Zé Pivó. José Ribamar Costa ainda era um garoto quando ganhou o apelido de pivó. Só mais tarde, em viagem à cidade de Tutóia, um pescador revelou-lhe que o codinome referia-se a um peixe pequeno que serve de isca e comida.
Mas foi pescando rimas que o sambista iniciou a carreira, aos 13 anos, quando começou a compor no bloco Boêmios da Folia, no bairro Caratatiua, vizinho ao João Paulo, bairro onde fica a Mangueira. "Ouvia eles fazerem e aquilo foi me empolgando, mas eu já tinha esse dom. Deus me deu. Tenho um espírito muito forte para rima. Na Mangueira, tenho 38 sambas-enredo. Ainda garoto me entregaram a responsabilidade de compor para a escola", orgulha-se. "A Mangueira regrediu um pouco, mas não deixou de ir para a avenida. Esse ano, a gente procurou se reestruturar. A luta continua. E nós estamos lutando para a escola mais velha do carnaval maranhense ficar numa classificação melhor, para mudar o visual da nossa escola, do nosso povo, do bairro do João Paulo", diz Pivó.
PÉ NO CHÃO
De um ambiente que beirava a depressão carnavalesca, no qual a escola ia para a avenida apenas para cumprir a obrigação do desfile oficial, a Mangueira alimenta grandes expectativas. Alguns acreditam até no título. Reiteram que o tema é bom, o samba expressivo e a parceria com o MST vai dar mais garra ao desfile. Muitos querem relembrar os tempos áureos da escola, tatuados com o célebre samba Bodas de Ouro: "Eu me lembrava do tempo que eu era criança e, quando a Mangueira saía da sede aqui no João Paulo, era aquele alvoroço, aquele povão. A Mangueira sempre teve grandes compositores, bons sambas. O refrão Mangueira, Mangueira, teu samba faz levantar poeira é porque o samba da Mangueira sempre foi gostoso. Mas aquela história eu me baseei no pessoal, mais velho, fui procurando. Queria fazer uma homenagem. Como eu não tinha nada para dar eu disse: 'esse é o presente que eu te dou, minha escola querida da ilha do amor", contou Pivó às gargalhadas, relembrando a letra.
O presidente da escola, Mabio Santos, ecoa as impressões do compositor. "Naquela época, o asfalto era pouco e a Mangueira tinha uma bateria muito forte. O povão descia mesmo no arrastão. Nós íamos a pé e com aquele batalhão levantando poeira mesmo. Igual ao MST também quando chega", entusiasma-se.
Com os pés no chão, a Mangueira e o MST prometem fazer uma grande marcha na avenida. Podem não ganhar o título, mas já é uma vitória a troca de energias entre duas organizações que enfrentam muitos obstáculos e alimentam ideais de justiça e dignidade. Na arte do samba e na vida dura do campo, ambos desejam levantar poeira e dar a volta por cima.
de São Luís (MA)
O saudosismo dos bons tempos da Turma da Mangueira tem uma data emblemática: o ano de 1978, quando a escola completou 50 anos com o samba "Bodas de Ouro", de autoria de Zé Pivó. José Ribamar Costa ainda era um garoto quando ganhou o apelido de pivó. Só mais tarde, em viagem à cidade de Tutóia, um pescador revelou-lhe que o codinome referia-se a um peixe pequeno que serve de isca e comida.
Mas foi pescando rimas que o sambista iniciou a carreira, aos 13 anos, quando começou a compor no bloco Boêmios da Folia, no bairro Caratatiua, vizinho ao João Paulo, bairro onde fica a Mangueira. "Ouvia eles fazerem e aquilo foi me empolgando, mas eu já tinha esse dom. Deus me deu. Tenho um espírito muito forte para rima. Na Mangueira, tenho 38 sambas-enredo. Ainda garoto me entregaram a responsabilidade de compor para a escola", orgulha-se. "A Mangueira regrediu um pouco, mas não deixou de ir para a avenida. Esse ano, a gente procurou se reestruturar. A luta continua. E nós estamos lutando para a escola mais velha do carnaval maranhense ficar numa classificação melhor, para mudar o visual da nossa escola, do nosso povo, do bairro do João Paulo", diz Pivó.
PÉ NO CHÃO
De um ambiente que beirava a depressão carnavalesca, no qual a escola ia para a avenida apenas para cumprir a obrigação do desfile oficial, a Mangueira alimenta grandes expectativas. Alguns acreditam até no título. Reiteram que o tema é bom, o samba expressivo e a parceria com o MST vai dar mais garra ao desfile. Muitos querem relembrar os tempos áureos da escola, tatuados com o célebre samba Bodas de Ouro: "Eu me lembrava do tempo que eu era criança e, quando a Mangueira saía da sede aqui no João Paulo, era aquele alvoroço, aquele povão. A Mangueira sempre teve grandes compositores, bons sambas. O refrão Mangueira, Mangueira, teu samba faz levantar poeira é porque o samba da Mangueira sempre foi gostoso. Mas aquela história eu me baseei no pessoal, mais velho, fui procurando. Queria fazer uma homenagem. Como eu não tinha nada para dar eu disse: 'esse é o presente que eu te dou, minha escola querida da ilha do amor", contou Pivó às gargalhadas, relembrando a letra.
O presidente da escola, Mabio Santos, ecoa as impressões do compositor. "Naquela época, o asfalto era pouco e a Mangueira tinha uma bateria muito forte. O povão descia mesmo no arrastão. Nós íamos a pé e com aquele batalhão levantando poeira mesmo. Igual ao MST também quando chega", entusiasma-se.
Com os pés no chão, a Mangueira e o MST prometem fazer uma grande marcha na avenida. Podem não ganhar o título, mas já é uma vitória a troca de energias entre duas organizações que enfrentam muitos obstáculos e alimentam ideais de justiça e dignidade. Na arte do samba e na vida dura do campo, ambos desejam levantar poeira e dar a volta por cima.















