Carta de Apoio ao Povo Xukuru
Está claro que essa é mais uma expressão do processo de criminalização que o povo enfrenta há mais de uma década, por causa da reconquista da terra
02/06/2009
O Movimento Nacional de Direitos Humanos – Articulação Pernambuco, cumprindo com seu papel histórico de lutar para garantir o respeito e a efetivação dos direitos humanos em nosso país, especialmente em Pernambuco, vem de novo ao público prestar seu apoio e solidariedade ao povo Xukuru do Ororubá e denunciar a criminalização contra as suas lideranças.
O povo Xukuru de Ororubá, cujo território tradicional está localizado no Município de Pesqueira/PE, vem há vários anos lutando para ter suas terras demarcadas e por essa razão, sofrendo com ações violentas de fazendeiros da região, o que tem provocado várias ameaças de morte e assassinatos de indígenas desse povo, as quais sempre foram denunciadas pelo MNDH/PE.
Com se não bastasse os diversos assassinatos ocorridos contra as lideranças Xukuru temos acompanhado, e também denunciado, o processo de criminalização cujo único objetivo parece ser desmobilizar suas lutas e desacreditar as lideranças diante da opinião pública.
No momento encontram-se presos dois indígenas acusados injustamente de um crime que não cometeram, aliás, são pessoas reconhecidas pela comunidade Xukuru como de boa índole e pacíficas, condições inclusive atestadas pelo Bispo da cidade de Pesqueira.
Como se não bastasse agora querem prender o Cacique Marcos!
A história é a seguinte: em fevereiro de 2003, o cacique Marcos foi vítima de um atentado por parte de José Lourival Frazão (Louro Frazão), indígena Xukuru. Nesse atentado foram assassinados dois jovens Josenilson José dos Santos (Nilsinho) e José Adenilson Barbosa da Silva (Nilson), o cacique Marcos Xukuru, conseguiu escapar. Naquele dia, a comunidade, indignada com o crime, se voltou incontrolada, contra um grupo de famílias Xukuru ligadas ao assassino - todos aliados dos antigos invasores da terra indígena.
A investigação e o processo judicial sobre esse conflito foram questionados por antropólogos e pelo MNDH. Os advogados de defesa dos Xukuru questionam o cerceamento de direito de defesa e o tamanho das penas, considerado exagerado. No caso da condenação do cacique Marcos Xukuru, a sentença foi publicada antes de se juntar ao processo os depoimentos de importantes testemunhas de defesa: o deputado federal Fernando Ferro e a Sub-procuradora Geral da República Raquel Dodge.
Agora querem prender a vitima! Está claro, portanto, que essa é mais uma expressão do processo de criminalização que o povo enfrenta há mais de uma década, por causa da reconquista da terra.