Capital paulista espera participação popular em conferência
Participação da sociedade nas questões da segurança pública é vista como inédita na história do Brasil
Patricia Benvenuti,
de São Paulo
São Paulo,
a cidade brasileira com o maior número de casos de violências dá o seu primeiro
passo em direção de um novo modelo de segurança pública para o País. Entre
os dias 30 e 31 de maio, a capital paulista tem a sua primeira Conferência Municipal
de Segurança Pública. O evento será realizado na Faculdades Metropolitanas Unidas
(FMU), Avenida Liberdade 899, e é
preparatório para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), que
acontecerá de 27 a
30 de agosto em Brasília.
Lançada
pelo governo federal em dezembro do ano passado, a Conferência tem como meta
principal traçar diretrizes para um novo modelo de segurança pública para o
país.
O
assessor da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e integrante do
Fórum pela Paz, Luiz Antonio de Souza Amaral, lembrou, em entrevista coletiva
nesta quinta-feira (21) que a iniciativa acontece com um certo atraso, em
comparação com outras áreas sociais, como saúde e direitos humanos. De acordo
com ele, isso reflete a falta de participação da sociedade nas questões da
segurança pública.
"Há
um apelo para que haja uma participação da sociedade. Essa cidadania é que é,
talvez, menos exercida na área da segurança. Você tem cidadania que se exerce
através da participação nos programas de saúde, de educação, mas em relação à
segurança é praticamente uma ausência", avalia.
Por isso,
explica Amaral, a Conferência tem um papel fundamental no sentido de estimular
a população a debater essas questões, assim como pretendia a Campanha da
Fraternidade deste ano, que tinha como tema "A Paz é Fruto da
Justiça".
"Nós
temos que ter uma ação civil, de cidadania, das pessoas, em relação à questão
da segurança pública. Segurança pública é um problema de todos, não é um
problema para ser resolvido pela polícia, é para ser resolvido pela sociedade
como um todo", afirma.
Além da
participação popular, o coordenador nacional da Pastoral Carcerária, Pe.
Gunther Alois Zgubic, aponta a necessidade de envolver também outros setores do
poder público, o que seria possível por meio da criação de conselhos gestores
em nível municipal, estadual e nacional. Esses conselhos, que devem ser
propostos na Conferência, reuniriam, além de representantes da sociedade civil,
todas as polícias e também ministérios e secretarias de políticas públicas.
Sem um
investimento social, para o Pe. Gunther, não será possível avançar em uma
segurança que, de fato, proteja os cidadãos. "Onde não tem escola,
moradia, transporte, trabalho, cultura e lazer, a violência automaticamente
será mais alta", analisa.
Para o
coordenador nacional da Pastoral Carcerária, a expectativa é de que a
Conferência contribua para reverter a atual lógica repressiva da política de
segurança, que prefere apostar, por exemplo, no encarceramento em massa.
"De
forma manipulada, na histeria do ódio e do medo, se investe e se mostra 'aqui
tem segurança para os piores bandidos'. A tarefa seria pensar como podemos
reduzir o número de presos, em vez de construir cada vez mais presídios, e
nunca ocorre nos bairros um trabalho preventivo para que não ocorra o
pior", explica.
Atividades
Além das
conferências municipais, que serão seguidas pelas estaduais, também ocorrem em
todo o País seminários temáticos, conferências livres, virtuais e reuniões, a
fim de incentivar a população a participar das discussões.
Os
representantes da sociedade civil terão 40% das vagas da Conferência, enquanto
os trabalhadores da segurança pública e do poder público terão, cada, 30% das
vagas. A conferência deve reunir cerca de três mil pessoas, sendo 1150
representantes de municípios e estados, além de centenas de observadores
internacionais.
As inscrições para a Conferência Municipal de São Paulo terminam no dia 25 de maio. Mais informações na página www.conseg.gov.br.