Boom, jornalistas para todos os lados
Curso universitário vem sendo o mais procurado nos últimos 20 anos
02/07/2009
da Redação
Durante as décadas de 1990 e 2000, o curso de jornalismo foi um dos mais procurados pelos alunos que prestam vestibular para ingressar nas universidades. A grande procura neste período fez com que se proliferassem escolas de jornalismo por todo Brasil.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) contou neste ano um total de 372 universidades com cursos habilitados que ofereceram 46.799 vagas.
Em 2008, a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) anunciou que o curso de Jornalismo foi o mais disputado do vestibular na Universidade de São Paulo (USP). Foram 41,63 candidatos para casa vaga, ou seja, 2.538 vestibulandos disputando 60 vagas.
Para Hamilton Octávio de Souza, da PUC-SP, ainda existem bons centros de formação. “Há escolas que têm um bom trabalho na área, que são bem conceituadas, que têm um comprometimento no curso com uma visão de jornalismo como atividade de interesse público e não de interesse privado das empresas. Essas escolas vão continuar tendo os seus alunos e os cursos em funcionamento”, conta o professor.
Ele explica que no jornalismo, assim como em outras categorias, existem bons e maus profissionais formados. Assim, a posse de um diploma não garante a produção de informação de qualidade, isso depende “do compromisso que cada estudante e cada profissional tem com a sociedade”.
Wladymir Ungaretti, professor de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vê no fim da exigência do diploma uma boa oportunidade para se aprofundar o debate sobre a função social do jornalismo e a necessidade de mudanças na profissão. Em sua opinião, a questão central não é discutir diploma, mas sim a formação dos jornalistas. “Não é possível vocês dizerem que as faculdades são maravilhosas e o jornalismo é ruim, nem que as faculdades são ruins e o jornalismo é maravilhoso”, opina.
Ungaretti entende que os currículos implantados, mesmo em universidades tradicionais como a própria UFRGS, atendem primordialmente às necessidades de mercado da grande mídia. “Isso não vai se dar depois do fim do diploma, já é uma realidade. Hoje temos escolas técnicas que formam jornalistas capazes de transmitir infográficos online e desvinculados da realidade”. (CN)