Sete anos de impunidade
Movimentos piqueteiros e pelos direitos humanos relembram o Massacre de Avellaneda com atos e atividades em todo o país
29/06/2009
da Redação
Dia 26, diversos movimentos sociais argentinos fizeram o tradicional corte da ponte Pueyrredón, que separa a capital federal do distrito de Avellaneda. Cerca de 7 mil pessoas participam da mobilização. Diversas agrupações, como a Frente Popular Darío Santillan, participaram, vigiados de perto por centenas de policiais.
As mobilizações se deram durante toda a semana, em diversas cidades argentinas. No dia 25, ao meio dia, os piqueteiros iniciaram uma vigília na estação Maxi y Darío (ex-Avellaneda), juntamente com uma “Jornada Cultural”. Havia recitais musicais, mostras plásticas e fotográficas, poesia, murga, murais, teatro, projeções, gigantografias e animações.
Pela noite, os militantes fizeram um ato; além dos piqueteiros, havia organizações de direitos humanos, como a linha fundadora das Mães da Praça de Maio e os H.I.J.O.S. (que reúne filhos de desaparecidos políticos da última ditadura militar argentina, de 1976 a 1983); depois, marcharam com tochas nas mãos, da estação até o ponte Pueyrredón, cenário da repressão policial em 2002. Dentre outros pontos, os manifestantes pedem julgamento e castigo aos responsáveis políticos pelo crime, ainda impunes.
Desde a semana passada algumas atividades já foram feitas no interior do país. No dia 19, durante a “Semana de luta contra a impunidade”, convocada pela Conferação de Trabalhadores Argentinos (CTA) da cidade de Rosario, Alberto Santillán, pai de Darío, participou da mesa de debate com Celeste Lepratti, irmã de Pocho, também assassinado no dia 19 de dezembro de 2001, e representantes das Mães da Praça de Maio e outros grupos de direitos humanos.
Já dia 23, na Faculdade de Filosofia e Letras se lançou o livro "Eu, havendo criado e resistido... vivo em cada luta", que compila diferentes artigos sobre os jovens assassinados. A apresentação, organizada pelas agrupações estudantis Acción Directa Estudiantil, 400 Golpes, La Juntada, Cría Cuervos, Socialismo Libertario e Cátedra Libre, foram acompanhadas de concertos e confecção de obras artísticas que foram colocadas na estação de trem “Darío y Maxy” (ex-estação Avellaneda), no dia 25. Nesse mesmo dia, na cidade de Luján, se realizou a 1º Jornada contra a Criminalização da Pobreza. Nessa oportunidade se apresentou o livro "Repressão e Democracia", compilação levada a cabo pela Coordenação Contra a Repressão Policial e Institucional (Correpi), que junto com o Movimento independente de Agronomia, integrante da Frente Popular Darío Santillán, foram convocantes da jornada. Mobilizações também ocorreram em Jujuy, Córdoba, Cipolletti, Neuquén, Rosário, Tucumán.
O que foi o Massacre de Avellaneda
No dia 26 de junho de 2002, nas imediações da estação de trem da cidade de Avellaneda, Grande Buenos Aires, o governo federal ordenou uma repressão a uma manifestação de grupos piqueteiros e, na perseguição foram mortos dois jovens militantes, Maximiliano Kosteki e Darío Santillán, membros do Movimentos dos Trabalhadores Desempregados (MTD) Guernica e MTD-Lanús, respectivamente. Outras 33 pessoas ficaram feridas. O fato se deu durante a crise argentina, durante o governo interino de Eduardo Duhalde, que antecipou as eleições diante das pressões.
No dia 17 de maio de 2008 começou o julgamento no Tribunal Oral Nº 7 de Lomas de Zamora, onde sete policiais foram condenados, entre eles o o delegado Alfredo Fanchiotti e o cabo Alejandro Acosta, condenados à prisão perpétua. Nenhum responsável político pela ordem de repressão, porém, foi condenado.