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Depois de derrota, Kirchner deixa presidência de seu partido

by Admin last modified 2009-06-30 12:23

Os resultados são considerados a mais dura derrota para o governo dos Kirchner que desde 2003 contava com a maioria no Congresso


30/06/2009


Da Redação



O ex-presidente argentino Néstor Kirchner anunciou, nesta segunda-feira (29), sua saída da presidência do Partido Justicialista, também chamado de peronista. A renúncia deu-se um dia após as eleições legislativas do país, em que o governo perdeu a maioria no Congresso.


De acordo com agências de notícias, Kirchner, que foi presidente do país entre maio de 2003 e dezembro de 2007, pediu ao governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, que "assuma o desafio de levar adiante condução partidária".


O ex-mandatário afirmou, ainda, que sua renúncia é "indeclinável" e pediu que Scioli e o vice-governador, Alberto Balestrini, continuem em seus cargos na província, principal reduto eleitoral do país, com 10 milhões de votantes.



Eleições de domingo

Cerca de 28 milhões de pessoas foram convocadas às urnas, neste domingo (28), para renovar a metade dos 257 cargos da Câmara dos Deputados e um terço dos 72 cargos do Senado, além das legislaturas provinciais e municipais.


Em um processo marcado pela calma e por precauções em relação à propagação do vírus A (H1N1) no país, as eleições culminaram com uma derrota dos governistas, que perderam espaço no Legislativo e foram vencidos em redutos eleitorais considerados estratégicos para a disputa presidencial de 2011.


Para Kirchner, a derrota faz parte do jogo democrático. "Perdemos por muito pouco, lutamos com dignidade, ganhamos em muitas províncias e estamos no caminho para retomar a iniciativa e aprofundar a governabilidade", analisou o ex-presidente.


Os resultados, porém, são considerados a mais dura derrota para o governo dos Kirchner que, pela primeira vez, desde 2003, não conta com a maioria no Congresso e depende de alianças para manter o governo.



Demais resultados

Na província de Buenos Aires, a recém criada aliança conservadora União - PRO, encabeçada pelo empresário milionário Francisco de Narváez e pelo prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, obteve 34,6% dos votos diante da 32,1% da Frente Justicialista para a Vitória (FJPV), liderada por Kirchner, quando 96,6% dos votos haviam sido apurados.


Na cidade de Buenos Aires, com 99,65% das urnas apuradas, a candidata conservadora Gabriela Michetti, de Propuesta Republicana (Pro), ganhou com 31,09%, seguida do candidato de esquerda Fernando "Pino" Solanas, com 24,21%. O partido de Kirchner obteve apenas 11,64%.


A frente governamental também perdeu em Córdoba, terceira província argentina em peso eleitoral, em Santa Fe e em Mendoza e Santa Cruz (onde Kichner havia governado por 12 anos).


Em nível nacional, portanto, as forças que respaldaram Kirchner e o governo da presidente Cristina Fernández obtiveram 20 das 60 bancas que se disputavam na Câmara Baixa, e terão 106 do total (254) frente a 116 de que dispunham antes e lhes davam maioria simples.


Já no Senado, em que a FJPV pôs em jogo 12 dos 24 postos que se renovavam (um terço), a Frente ganhou somente oito, sendo que, no futuro, terá somente 36 bancas, também sua primeira minoria.



Ministra renuncia

A derrota nas eleições legislativas já trouxe consequencias ao governo argentino. Ainda nesta segunda-feira (29), a ministra da Saúde, Graciela Ocaña, renunciou ao cargo.


De acordo com fontes locais, a ministra havia decidido se demitir há mais de um mês. O avanço do vírus A (H1N1) e a proximidade das eleições para o Legislativo, porém, teriam postergado seu afastamento. Graciela será substituída pelo atual vice-governador da província de Tucumán, Juan Luis Manzur, que assumirá na quarta-feira (01).

(Com agências)



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