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Golpe e resistência em Honduras

by Admin last modified 2009-07-02 11:24
Contributors: Editorial ed. 331

A resistência popular hondurenha está em níveis crescentes. O isolamento total do regime do direitista Micheletti faz pensar sobre sua durabilidade


02/07/2009


Editorial ed. 331



No domingo, 28 de junho, um novo golpe de Estado em Honduras sequestrou e conduziu ao exterior o presidente eleito da nação centroamericana, Manuel Zelaya. Naquele dia, o país se preparava para realizar uma "Consulta Popular" para que o povo indicasse, pelo voto democrático, se aceitava ou não a inclusão, nas eleições gerais de novembro, de uma nova consulta à população hondurenha: se esta concordava ou não com a convocação de uma Assembleia Constituinte.


Porém, antes dessa iniciativa, o presidente já havia tomado algumas decisões que fizeram tremer os setores mais reacionários da sociedade hondurenha, acostumados a resolver tudo e qualquer coisa com assassinatos e repressões. Zelaya percebeu que a falência das políticas neoliberais – que no centro do capitalismo geraram falências de ícones do regime como o City Bank e a General Motors – fazia com que que um país rigorosamente dependente dos EUA tivesse que procurar outros caminhos para não ser levado ao matadouro.


Aproximou-se do presidente venezuelano Hugo Chávez, reatou relações com Cuba, trouxe médicos cubanos para o atendimento da sofrida população hondurenha, estabeleceu mecanismos de cooperação com a Venezuela por meio do qual Honduras recebeu petróleo e enviou produtos agrícolas, especialmente leite e derivados, além de ter recebido milhões de lâmpadas elétricas para racionalizar e economizar energia. Lâmpadas de fabricação chinesa, fruto dos convênios de cooperação de Venezuela com a China, por meio da qual economizam-se 70% de energia elétrica no pobre país centroamericano, desprovido de grandes hidrelétricas.


O golpe é uma reação extremada das oligarquias que querem manter o país no parasitismo e no isolamento do curso de transformações sociais que caminham por vários países da América Latina.


A resistência popular hondurenha está em níveis crescentes. O isolamento total do regime do direitista Micheletti faz pensar sobre sua durabilidade, tal como aconteceu com o golpista venezuelano deposto depois de 47 horas pelo povo da Venezuela em 2002. Nem mesmo os EUA puderam apoiar francamente, muito embora a ambiguidade de Hillary Clinton, chanceler estadunidense, tenha indicado que há uma divisão na cúpula do imperialismo.


Se Obama aparece vinculado ao golpe, tem sua imagem destruída. Por outro lado, os golpistas hondurenhos são todos eles financiados por instituições, agências e fundações dos EUA, que sempre operam para realizar os objetivos da política externa do país, claramente expansionista. Tal política necessita impedir o desenvolvimento da Alba, a cooperação dos países do Sul, e recuperar mecanismos de vassalagem e subserviência aos ditames do imperialismo. Os partidos conservadores hondurenhos são apoiados financeiramente pelos partidos e fundações que representam a linha imperialista de intervenção e imposição internacional em defesa dos interesses vitais dos EUA.


O protagonismo de Hugo Chávez (Venezuela), Raúl Castro (Cuba), Daniel Ortega (Nicarágua), Evo Morales (Bolívia); a reunião da OEA condenando o golpe; a participação da Telesur difundindo ao vivo os acontecimentos; a reação popular a eles; e a notícia de que Zelaya voltará ao país em breve, acompanhado do presidente da Assembleia de Direitos Humanos da ONU, Miguels Descotto, e também da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner; indicam que o golpe tem tudo para fracassar.


Foi importante a posição de Lula condenando prontamente esse golpe, mas deve ser lembrado que o presidente brasileiro tem à sua disposição a possibilidade de influir para que sejam adotadas medidas concretas que façam fracassar ainda mais rapidamente esse regime fantoche. Assim como Chávez já anunciou que a Petrocaribe suspendará o fornecimento de petróleo para Honduras, o que dá pouquíssima vida aos golpistas, Lula pode associar-se para pressionar os organismos financeiros internacionais no sentido de um legítimo e necessário boicote que faça fracassar o golpe de Estado em Honduras antes que vidas sejam perdidas, pois inevitavelmente o povo hondurenho e suas lideranças populares irão multiplicar suas formas de luta e de resistência.


Que os partidos políticos de esquerda, movimentos sociais e movimento sindical também se somem a essa inciativa de prestar uma solidariedade concreta em Honduras. Que multipliquemos nossa capacidade de pressionar o governo brasileiro, para ações ainda mais concretas, inclusive no plano internacional. Que os governos enviem representantes e que suspendam todo tipo de relação e cooperação no sentido de derrotar o mais rápido possível essa aventura golpista que apenas revela o desespero da direita, possivelmente com o apoio de um setor do Pentágono, diante do avanço e consolidação de governos populares na América Latina.

Comentários - 1

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1 Clívea Ferreira - 04-07-2009 - 20:37:19h

O CAMINHO É ESSE
Sempre que surge um governante que não tem "rabo preso" e possui um maior compromisso com os governados, faz "tremer os setores mais reacionários da sociedade". Aliança incomoda, porque significa fortalecimento e crescimento. Por isso Alca, Alba e tudo que indique independência e crescimento da América do Sul incomoda. Devido a isso surgem ações ( como o golpe em honduras ) com o intuito de frustar qualquer intenção de comum apoio entre Sulamericanos. Tentar tirar o Presidente hondurenho de sena é mais uma tentativa de tentar fazer com que não haja a valorização de interesses de massa que certamente não são os interesses de quem está acostumado a ditar as regras.